Um raio de sol
I.Nunes
Fraco mas lindo, um verdadeiro raio de sol, onde chegava junto com os irmãos, iluminavam tudo, suavizavam-se as expressões, encantavam a todos.
Um dia, numa manhã ensolarada foram passear , era uma manhã primaveril, uma brisa suave envolvia os corpos e balançava docemente as flores dos jardins. Resolveram dar um passeio mais longo e para isso pegaram um ônibus, o vento morno entrando pela janelas provocava em todos uma doce madorna.
Ele sentia-se preso, apesar de tratado com muito carinho, tinha ânsia de liberdade. Olhava pela janela e ao ver algumas folhinhas caírem das árvores e serem levadas pelo vento, rebelou-se, ele também queria voar, ser levado pelo vento para conhecer outras pragas. Pensou bem e decidiu ser aquele o momento propício para conquistar a tão sonhada liberdade, desapegou-se da família, queria sentir o calor de outras pessoas, outras paragens, então aproveitou a oportunidade em que algumas pessoas passaram perto e lá se foi entre elas. Lépido, alegrinho, balançava-se como que a dizer, liberdade, viva a liberdade, nada de amarras, nem de seda nem de veludo, queria sentir-se livre, leve e solto. Agora podia flutuar, levado pelo vento.
Afoito, sem controle da liberdade adquirida, pulou de pouso :namespace prefix = st1 ns = urn:schemas-microsoft-com:office:smarttags />em pouso. De mão em mão, ou melhor de corpo em corpo sem um carinho, sem nenhum trato, acabou por cair e ser pisoteado. Todo machucado, lá se foi o perfume, o viço, e o dourado, agora tornou-se apenas um fio de cabelo amarfanhado e sujo, tão diferente daquele que emoldurava a linda cabecinha de sua dona, uma formosa e angelical menina.