Nathalia SilvaEra o Dia dos Namorados. Uma data para ser feliz. Entretanto, ali estava ela, naquele minúsculo apartamento de sala e cozinha, cheirando a mofo e tristeza, e tendo para o jantar apenas uma lata de sardinhas em molho de tomate. A tempestade, lá fora, chacoalhava os vidros das janelas e, ao estrondo de um longo trovão, as luzes se apagaram, mergulhando o ambiente na mais profunda escureza..
Ali, sem fósforos nem velas, sem luz e sem telefone, ela percebeu enfim a armadilha em que se metera, em nome do amor.
Em nome do amor ela enfrentara a família, desafiara os costumes, perdera os amigos e até os conhecidos, ficando absolutamente só, com aquele que ela estava certa de que era a sua autêntica alma gêmea.
Todas as pessoas, amigos, parentes e até simples conhecidos tinham avisado, explicado, exemplificado, mas de nada adiantara: um coração apaixonado é capaz de colocar a mente em tal estado de insensatez, que para ela todos pareciam estar errados e, apenas ele, parecia estar correto.
Ela tentou de todas as maneiras, concordou com tudo o que ele desejava, deu carinho, deu afeto, arrumou emprego, dinheiro, estudos, amigos... Mas, algo estava falhando, a fórmula não estava dando certo. Isso ela só percebeu naquele Dia dos Namorados, quando ele chegou, no final da madrugada , sem desculpas nem justificativas, ignorando dia, mês, ano e até hora. Mesmo assim, ela ainda tentou, por muito tempo, conservá-lo a seu lado. Porém, nunca mais as coisas deram certo. Quando finalmente se apossou de tudo o que ela possuía, inclusive de sua auto-estima, ele se foi, sem olhar para trás.
Hoje, lembrei-me dessa estória, tão parecida com tantas outras, que acaba por se apresentar nas mais diversas variações, causando sempre imensa dor.